2006 November | anacarmen.com

Arquivo do mês: November, 2006

Conexão afetiva: Povoempé na Casa das Caldeiras e Gaia em Montreal

Experimentar em arte é o que dá sabor, textura e fôlego. Sem experimentação, a arte morre um pouco no porto seguro. Com o mesmo espírito transformador, duas trupes unem São Paulo e Montreal em meu cenário afetivo.

GAIA + POVOEMPÉ

Opovoempé, com Cristiane Esteves, traz para o Brasil a técnica do Viewpoints que ela estudou nos Estados Unidos. Lá em Montreal, o grupo musical Gaia, do André Faleiros, continua no barato de tocar música brasileira e apaga as velinhas de 10 anos, depois de passar o último deles excursionando com o espetáculo Delirium, do Cirque du Soleil.
São duas dicas interessantes, uma em São Paulo, outra em Montreal, no Canadá:

1- Pãozinho cultural com Opovoempé:

OPOVOEMPÉ, com o apoio da Casa das Caldeiras, promove seu primeiro Pãozinho Cultural, uma oportunidade para tomar café da manhã no incrível cenário da Casa das Caldeiras, o que restou da antiga fábrica Matarazzo.

Durante os próximos domingos, a trupe abre o processo de criação de 950 Qualquer Sofá. “Trata-se de um experimento, tanto para o grupo quanto para o público”, diz o convite, que pede que a gente vá de chinelinhos.

Dias 3 e 10 de dezembro, às 11h30
Av. Francisco Matarazzo, 2.000, Pompéia, São Paulo.
www.opovoempe.blogspot.com

2- Gaia

O show de comemoração de 10 anos de banda é para quem está em Montreal. Será no dia 7 de dezembro, às 20h, no teatro Le National, 1220, Sainte-Catherine est.

Você ouve um pouco dessa mistura de sotaques aqui.

Blog Gaiamundo

Yahoo lança o Manifesto da Pasta de Amendoim

A novela do vídeo digital também tem ótimos capítulos. Quem roubou o controle remoto? Continua a saga.

1- Vice-presidente do Yahoo diz que está tudo errado

Garlinghouse, chefão do Yahoo, rodou a baiana ao ver que a empresa não tem uma estratégia unificada para reagir à movimentação que abala o mercado mundial de vídeo digital e serviços online. Segundo ele, o problema é de falta de foco: “Nós queremos fazer tudo e ser tudo para todo mundo.”

Essas melódicas observações foram publicadas no Wall Street Journal, cujos leitores não estão exatamente interessados em descobrir vantagens no novo e-mail, mas estão de olho nas ações da empresa que perderem neste ano, até novembro, 31,5% de seu valor.

No desabafo de Garlinghouse, chamado de “Manifesto da Pasta de Amendoim”, ele diz que a estratégia da empresa se iguala a passar uma camada muito fina da pasta sobre o pão. “Detesto pasta de amendoim”, diz Garlinghouse, anunciando corte de 15% a 20% dos empregados e prometendo pôr fim na duplicação de atividades dentro da empresa.

Acho que eu já vi isso: duas equipes desenvolverem o mesmo projeto dentro de uma empresa e lutarem uma contra a outra como verdadeiros rivais do mercado. Faz super mal à pele dos investidores, convenhamos. “Tem tanta gente na chefia (ou que pensa que está na chefia) que não fica claro se alguém está na chefia”, reclama o VP do Yahoo. Bacana esse manifesto.

Garlinghouse enumera vários grupos duplicados nos setores de música, fotos, busca, aplicativos, redes sociais, estratégia global e até na home page. Estilo aperte-os-cintos-que-piloto-sumiu, tem muita gente cuidando da home e ninguém é responsável pela home.

2- BNDES terá linha especial para a TV digital

Enquanto isso, no Brasil, também mexem-se os pauzinhos. Deu no Estadão: “O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) finaliza um grande programa de financiamento à cadeia da TV digital no Brasil.” Como o Brasil vai adotar o padrão japonês de vídeo digital, a indústria precisa adaptar-se a ele. Os incentivos irão para equipar o parque industrial, trocar transmissores e financiar os equipamentos das transmissoras e retransmissoras de televisão.

“Estima-se que a digitalização de toda a infra-estrutura de transmissão demandará investimentos da ordem de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões - é nesta parte da cadeia que serão necessários os maiores investimentos até 2016.”

Vídeo online mexe com o sangue das megacorporações

Vídeo online é a bola da vez na web e o mercado movimenta-se para correr atrás da onda que o You Tube soube surfar logo de início. Depois que o Google comprou o serviço de vídeo mais popular do mundo, as megacorporações de mídia fizeram mudanças estratégicas em cargos de liderança para ter fôlego no novo desafio: domar o bicho que corre solto pela rede.

News Corp., Time Warner, Viacom and CBS contrataram executivos vindos da TV ou do mundo do vídeo online, como detalha uma reportagem publicada pela CNN na editoria de negócios. O assunto vem à tona em termos de ações no mercado financeiro, veja bem, e não em termos de linguagem digital do entretenimento e coisas assim mais levinhas. Papo de economia globalizada.

Murdoch

A News Corp. chamou Peter Levinsohn, que era o chefe dos negócios digitais da Fox Entertainment e que estava encarregado de negociar com a Apple, Amazon e outras lojas virtuais a venda e distribuição dos programas de TV e filmes da Fox. Peter ocupa o lugar de Ross Levinsohn, seu primo, responsável pela compra da comunidade online My Space. Rupert Murdoch, CEO da News Corp., comentou outro dia em encontro na Austrália que o My Space poderia ser vendido por US$ 6 bilhões, ou seja, é um grande sucesso. Substituir o responsável por esse trunfo é algo significativo.

AOL

Já a Time Warner anunciou a contratação de Randy Falco, ex-presidente da GE NBC Universal Television Group, para cuidar da AOL, substituindo Johathan Miller. Embora Wall Street tenha aplaudido a nova estratégia da AOL de ampliar os serviços grátis, muitos ainda acreditam que a empresa precisa se concentrar no vídeo online para atrair ainda mais usuários e anunciantes, explica a CNN.

MTV

No início de novembro, a Viacom contratou um veterano do vídeo digital para cuidar de suas operações online: Mika Salmi, ex-CEO da Atom Entertainment, comprada pela Viacom em agosto. Salmi foi nomeado presidente de mídia digital para a MTV Networks, subsidiária que inclui a MTV, Nickelodeon e outros serviços a cabo. Apesar da compra da Atom e iFilm, a Viacom foi criticada por estar sendo muito lenta na adaptação ao mundo digital.

CBS

A CBS também anunciou uma importante substituição na área de negócios digitais. Sai Larry Kramer, entra Quincy Smith, executivo da Allen & Co, um banco de investimentos da indústria da mídia. Mesmo que ele não tenha experiência na TV ou vídeo online, sua contratação pode ser um sinal de que a empresa quer ir além de seu site Innertube.

Dúvida cruel

  • Conseguirá o You Tube manter-se na liderança?
  • Depois do You Tube, quem é o próximo a vender o quê?
  • Quanto tempo as empresas brasileiras de mídia levarão para se adaptarem ao novo cenário? Entre elas, quem vai morrer por cegueira?

Brasileiro é maluco por internet… quando tem acesso a ela

O brasileiro é maluco por internet – quando tem acesso a ela. Sabe-se que o brasileiro fica mais horas conectado do que qualquer outro usuário da rede no mundo. Em tempo médio de uso, o Brasil supera até o Japão, segundo do ranking.

Heavy user por definição, o brasileiro adora interatividade, comunidades, comunicadores instantâneos e inovações de qualquer tipo da web 2.0. Mas isso diz respeito apenas a uma parcela da população. A grande maioria está alheia a esse movimento todo: 67% dos brasileiros nunca tiveram acesso à internet.

Estudo divulgado esta semana pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil traz dados fundamentais para conhecer melhor o universo da web brasileira. Segundo a pesquisa, 45,6% dos entrevistados afirmaram já ter usado um computador e 33% já acessaram a Internet pelo menos uma vez na vida, de qualquer lugar. Mas 54,4% da população brasileira nunca usaram um computador.

Abismo

Há um verdadeiro abismo entre os malucos pela web e os 67% excluídos desse universo. Dados da pesquisa sobre uso da internet no Brasil divulgada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br:

  • 97% dos domicílios têm aparelhos de televisão
  • 49,7% dos domicílios contam com telefone fixo
  • 19,6% dos domicílios têm computador
  • 14,5% dos domicílios têm acesso à internet

Celular e inclusão digital

O celular, como escreve Ricardo Anderaos,em seu blog, talvez seja mesmo o caminho mais pavimentado para a inclusão digital: 60,61% já utilizam telefones celulares. No futuro próximo, aposta o editor do Link do Estadão, talvez existam mais internautas brasileiros acessando a rede pelo celular do que pelo computador.

O que limita hoje o acesso da web pelo celular é a própria tecnologia dos aparelhos - somente os modelos mais modernos têm os recursos necessários - e o custo dos serviços das operadoras.

Dez coisas legais

Guardar links interessantes é importante para nós todos, surfistas da web. Sem um de.li.cious, como lembrar tantos caminhos? Fiz uma lista de 10 links legais que amigos indicaram ou que eu colecionei:

1- Manchetes de todo o mundo

2- 10 tecnologias emergentes segundo o MIT

3- Som e luzes para o iPOD (dica do Xpop)

4- Momento retrô: antigas edições das revistas de cinema A Scena Muda (1921-1955) e Cinearte (1926-1942) no site do Museu Lasar Segall.

5 - Post Secret: publique um segredo

7- Violoncelo irado (Dica de Reviravoltas de Alice)

8- Uma fonte para a sua letra de mão

9- Dicionário de MPB (duas dicas do Favoritos)

9- Protetor de tela do céu

10. Edgard Morin (dica da Udi)

ONU discute como reverter o aquecimento global, Al Gore mostra o estrago

No mesmo continente onde as neves do Kilimanjaro correm o risco de serem apenas nome de livro e filme, as Nações Unidas reúnem-se a partir de hoje para discutir o aquecimento global. A reunião realiza-se em Nairóbi, no Quênia, sem contar ainda com a adesão dos Estados Unidos ao protocolo de Kyoto.

É um bom momento para tomar um sorvete e assistir a “Uma Verdade Inconveniente”, documentário sobre Al Gore e sua campanha de alerta para as mudanças climáticas. O ex-futuro presidente dos Estados Unidos revela dados significativos: os Estados Unidos são responsáveis por 33% da emissão de gases poluentes na atmosfera. Se os EUA decidissem reduzir a emissão de poluentes, o planeta teria melhores chances. Simples assim.

O desastre começou. Na África, as neves do Kilimanjaro derretem. No meio de “Uma Verdade Inconveniente”, uma animação mostra o sorvete de Lisa Simpson derreter na casquinha antes que ela consiga experimentá-lo. É uma forma engraçadinha de mostrar uma situação crítica.

O documentário sobre Al Gore devia ser obrigatório na aula de geografia. Em vez de gráficos impessoais sobre os efeitos dos gases estufa, é mais convincente ver paredões de 200 metros de altura de gelo derreterem no Ártico. Observar a sinistra espiral dos furacões sobre águas excepcionalmente aquecidas, saber que pela primeira vez registrou-se um furacão no Hemisfério Sul - o Catarina, no litoral do Brasil.

“As mudanças no clima rapidamente tornaram-se uma das maiores ameaças que a humanidade jamais enfrentou.” Foi nesse tom que o presidente da conferência da ONU, o ministro queniano do meio ambiente, Kivutha Kibwana, abriu a rodada de negociações. Harlan Watson, representante dos Estados Unidos no evento, disse que Bush não muda uma palha na atual política.

Se Al Gore fosse o presidente dos EUA e tivesse assinado o protocolo de Kyoto

O filme deixa uma pergunta pertinente no ar. O que seria do planeta se Al Gore fosse o presidente, e não Bush? Acho que todo mundo se lembra que Bush foi eleito por pouco, muito pouco, em meio a uma polêmica sobre quem realmente venceu as eleições.

Se Gore fosse o presidente, os EUA teriam assinado o protocolo de Kyoto e essa fatia gorda de responsabilidade pelo estrago – os 33% - desapareceria. Simples assim?

Começo de conversa em Portugal sobre jornalismo cidadão

Os livros da coleção “Conquiste a Rede” ganharam a atenção de alunos e professores interessados em comunicação. Êba: isso é interessante, é o “começo de conversa” com que nós, os autores, sonhamos: “A coleção quer ser um começo de conversa para facilitar o acesso a um mundo virtual necessário para a realização pessoal e profissional. Não pretende esgotar o assunto”, escrevemos na apresentação dos quatro livros da coleção.

Com interesse, acompanho o debate sobre jornalismo cidadão em blogs portugueses que fazem referência a “Conquiste a Rede”. A discussão foge do oba-oba e da adesão incondicional. Eles têm sérias dúvidas sobre a produção de notícias feita por pessoas que não são profissionais da comunicação. Acompanhe:

Nós, portugueses, ainda não estamos preparados para dar uma resposta concreta

Inês Figueiras: “A informação de fontes institucionais é, em princípio, mais fiável do que aquela que é publicada em blogues.”

“Curiosamente, tendo feito uma pesquisa exaustiva sobre o assunto, não encontrei nenhum autor em específico que se declarasse veemente contra o jornalismo do cidadão. Penso que isso terá acontecido por um motivo muito simples: quem não concorda minimamente com o trabalho desenvolvido pelos jornalistas cidadãos, com certeza que não vai publicar as suas ideias na Internet, pois considera isso jornalismo do cidadão. Uma vez que a minha pesquisa se restringiu a este meio, é essa a única resposta plausível que encontro.”

“Para terminar, numa análise geral, concluo que a questão do jornalismo do cidadão é muito complexa e nós, portugueses, ainda não estamos preparados para dar uma resposta concreta.”

A questão da comercialização ainda está longe de ficar resolvida

Liliana Lopes: “Mas se produzir e publicar deixou de ser problema, a questão da comercialização ainda está longe de ficar resolvida. O jornalista cidadão obtém remuneração? Até que ponto o factor remuneração deve ser levado em conta na classificação de um produto jornalístico como jornalismo cidadão/amador? Existe compatibilidade com a profissionalização plena? São perguntas suficientes para começar a discussão. Haverá alguém que tenha respostas?”

O cidadão nunca deixará de ser fonte

Cátia C. Vizela: “Quer isto dizer que no que toca à produção das notícias o cidadão deve permanecer inerte? Não! O que considero é que tem o dever de ajudar o jornalista mas que o papel final cabe sempre ao último. É ele que tem de trabalhar a informação. O cidadão ou aquilo que possa ter para oferecer nunca deixará de ser fonte.”

Se o jornalismo cidadão fosse mesmo jornalismo, os cursos de comunicação social não estavam a fazer nada nas universidades

Mariana: “O jornalismo é muito mais que escrever textos. O jornalismo cidadão até tem boas qualidades como recém-chegado: é novo, fresco, inocente, independente, com imensas ideias no jornalismo e na democracia e acima de tudo com um amor pela verdade. O problema é que isto não se aplica a toda a gente. Nem todos estão preparados para um jornalismo livre e nem todos têm boa fé para saber o que podem ou não revelar. Porque se o jornalismo cidadão fosse mesmo jornalismo, os cursos de comunicação social não estavam a fazer nada nas universidades.”

Complemento de informação

Ana Fonseca: “Todos nós podemos ter um blog , mas será que isto faz de nós jornalistas? Sinceramente, penso que não.”

“…Penso que não existe um ‘jornalismo cidadão’. O que existe é um importante trabalho de complemento de informação.”

Jornalismo interactivo

FJorge: “Concluindo, na minha opinião, o jornalismo do cidadão deveria ser denominado de ‘cidadão que participa na recolha, tratamento e divulgação da informação’. No entanto, esta seria uma denominação muito extensa, portanto defendo a designação de ‘jornalismo interactivo’ como a mais adequada, no sentido do cidadão e do jornalista desenvolverem uma relacção de interactividade um com o outro.”

O trabalho jornalístico não deve ser desenvolvido de forma autista

Sandra Silva: “O ideal seria fazer o jornalismo cidadão com MODERAÇÃO, tentando aproveitar o que de melhor ele pode acarretar e atenuar as suas lacunas.”