Arquivo do mês: October, 2006

Hacienda: o clube onde o DJ saiu do escuro

Reconstrua o Hacienda! Com esse grito de guerra, a festa sob uma lona de circo foi memorável. New Order e outras bandas de Manchester tocaram em um parque de Londres para arrecadar fundos para um clube chamado Hacienda. Zilhões de anos depois é possível lembrar que era um daqueles dias cinza-ratinho típicos da ilha e que meu queixo caiu ao ver New Order tocar ao vivo pela primeira vez.

Não acreditei na Gillian Gilbert. Ela apertava uma tecla, virava as costas para o público, ia passear, voltava depois de um tempinho, apertava outra tecla, sumia. O som eletrônico era bom, dançante. Eu nunca tinha visto nada parecido. Só faltou ela esmaltar as unhas. Não era preciso tocar muito, não era preciso encantar. O que eu vi no meio do parque em 1987, entendo agora, era a pré-história das raves.

Hacienda era o clube de Anthony Wilson que estava na bancarrota. Quem? Tony Wilson. Um jornalista com antenas do tamanho da cena musical britânica, dono do selo Factory Records, do Hacienda e que ainda é apresentador de TV. Wilson foi biografado 2002 por Michael Winterbottom no filme “A Festa Nunca Termina” (Twenty Four Hour Party People), em cartaz na TV a cabo e na sua locadora. É possível ver alguns trechinhos no site Party People Movie .

Wilson tem ótimo radar. Viu um show dos Sex Pistols na modorrenta Manchester de 1976 e imediatamente entendeu que acontecia ali algo importante. Imagine que sensibilidade: olhar para Sid Vicious e perceber que a história da música ganhava dois novos verbetes: punk e, em seguida, new wave.

Winterbottom (que lança agora no FestRio “O caminho para Guantanamo”), reconstitui em seu filme um Hacienda divertido, vivo, frequentado no início por vocalistas suicidas como Ian Curtis do Joy Division e, anos depois, pelo fornecedor de ecstasy Bez, melhor amigo de Shaun Ryder, ambos do Happy Mondays.

Foi no Hacienda que as raves começaram a esquentar tamborins. Tony Wilson sempre percebeu para onde sopravam os ventos e seguiu todas as brisas. No filme de Winterbottom, seu personagem ilustra esse radar com um comentário. Olha para a cabine do DJ e, surpreso, comenta: “Eles estão aplaudindo o DJ!”

Instrumentistas e virtuoses, fora. Era a vez dos pilotos de batidas sincopadas, como bem já havia reparado Gillian Gilbert, a espertinha.

Love will tear us apart

O You Tube tem grandes momentos do Hacienda: Smiths, Birthday Party. “Love will tear us apart”, em especial, tem cara de documento histórico: mostra Tony Wilson, o Hacienda e até Gillian Gilbert com seu profético indicador sobre o teclado.

Manjericão, missô e Linus Pauling contra a ressaca pós-eleições

A campanha eleitoral desta vez foi morna, não conseguiu mobilizar sonhos. Promessas, programas de governo e até o marketing limitaram-se à superfície. Sequer arranharam o imaginário coletivo. Não inspiraram as pessoas. Desfilaram burocraticamente diante dos olhos de uma Nação desmotivada e incomodada com a corrupção.

Foi bonito ver o processo democrático mostrar mais uma vez como se escolhe de forma pacífica. Nota de pura poesia em meio à apatia de idéias.

Se houve uma época no Brasil em que as receitas substituíam nos jornais os textos censurados pelo governo militar, seria um sinal dos tempos optar por elas para rebater o resultado das urnas?

Manjericão e mente alerta

Diz-se que o Ocimum basilicum mantém a mente alerta. É um estimulante que atua na digestão, combate enxaquecas e a estafa mental. Planta associada à prosperidade, origina-se da Índia, onde era consagrado a Krishna e Vishnu. Em latim, “basilicum” significa “própria da casa de um rei”.

Manter um vasinho ou um canteiro de majericão pode beneficiar tanto o espírito quanto as saladas, que ganham perfume com as folhas colhidas na hora. A planta precisa de sol e água diariamente e pode morrer durante os meses de frio. Tem cálcio e vitaminas A e B2.

O pesto, um molho italiano, pertence à categoria zás-trás de receitas: basta bater as folhas de manjericão no processador ou liquidificador com azeite extra-virgem e sal. Nozes, pinholi, alho e parmesão também podem ser usados como ingredientes. Não vai ao fogo, não é preciso fazer mais nada. Dá tudo certo sobre o pão, fatias de tomate ou macarrão.

Missoshiro contra a ressaca

O missô, pasta feita a partir da fermentação de cereais (soja, trigo, centeio ou arroz) com o kooji (fermento natural) e sal, é a base para uma sopa japonesa recomendada para curar ressaca. Basta esquentar a água no fogo e, antes que ela entre em ebulição, acrescentar colheradas de missô. Atenção: aroma e sabor desaparecem quando o ele é fervido. Mexer, colocar cebolinha picada e, se quiser, tofu em pedacinhos.

Receita Linus Pauling para a imaginação

Para arejar a semana, que precisa de ventos mais inspirados, uma dica do químico Linus Pauling (1901-1994), Prêmio Nobel de 1954: “A melhor maneira de ter uma boa idéia é ter um monte de idéias.”

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