No andar de cima morava um psicólogo famoso, autor de vários livros de auto-ajuda. Soube que ele enveredou pelo assunto “gestão de crise”. Provavelmente, conjuga o verbo minimizar (o impacto) várias vezes, não sei, ainda não divulgou a pesquisa, que deve transformar em outro best-seller.
Depois que ele se mudou, o apartamento foi ocupado por um famoso cozinheiro francês especializado em doces. Dividi algumas vezes o elevador com tortas cobertas com geléia no maior respeito, nunca provei nada. O chefe foi vizinho passageiro, deixou o bairro assim que abriu um bistrô em Higienópolis.

Vizinhos, na maioria das vezes, são invisíveis. Quando um grupo de moradores vira turma, é notícia. Quem são esses esquisitos que freqüentam a casa uns dos outros como se estivéssemos no passado?
Ad infinitum poderia ser o apelido da vizinha atual. Não quer nem saber de perfil na revista de domingo, não quer ser alternativa, nem dar bom dia.
Late ad infinitum: de medo, de susto e, principalmente, de solidão. Schnauzer escandalosa. Como seria se ela estudasse com o antigo vizinho? Saberia gerir sua crise?

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