Em algum momento da infância aprisionamos um sentimento em uma caixa. Escolhemos a embalagem para guardar pedaços do nosso afeto e colocamos dentro fotografias, pedrinhas, perfumes, flores secas, poemas. Até bola de pingue-pongue, papel de bala e brinquedo. Fazemos um pacote de ícones, símbolos e patuás e sentimos que, de alguma forma, o afeto fica preservado.

A cápsula do tempo que o Yahoo lança em novembro traz esse mesmo espírito. Trata-se uma versão virtual dessa caixa de relíquias. Até o dia 8 de novembro você pode guardar na cápsula uma foto, um vídeo, um texto, um desenho ou uma música. Em seguida, escolhe qual instituição deve receber parte dos US$ 100 mil que a empresa doará como parte dessa experiência antropológica.

O site permanecerá fechado até 2020, sob os cuidados da Smithsonian Institution. O artista plástico Jonathan Harris explica a idéia: “Como escolheríamos um punhado de preciosos pensamentos e formas para representar nossa vida – poucas palavras, poucas imagens, talvez um desenho ou dois – e guardaríamos em algum lugar seguro, de lembrança para o futuro?”

Para participar, entre na Cápsula do Tempo.

Tique-taque

Enquanto o Yahoo tenta captar e registrar um determinado momento da vida no planeta, pergunto:

1- Quantas horas cabem em um segundo de espera?

2- Seria este o melhor momento? Chad Hurley e Steve Chen estão rindo à toa com a venda do You Tube para o Google. Não se fala em outra coisa. Seria este um bom momento para o concorrente guardar em sua caixinha de tesouros para o futuro?

3- Será que o site da cápsula do tempo vai conseguir rodar na web de 2020? Imagine a cara do funcionário da Smithsonian Institution encarregado de fazer a geringonça da velha tecnologia funcionar. Quais e quantas pragas ele vai rogar?