As novidades e as confusões moram embaixo do termo web 2.0, usado pela primeira vez há dois anos. Ele mais confunde e mistifica do que explica. É a buzzword, ou seja, frase de efeito do momento do mundo virtual. Por isso mesmo é tema do relatório “Surfando as ondas da web 2.0” (pdf, em inglês), divulgado hoje pelo Pew Internet & American Life Project, organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo do impacto da Internet na sociedade norte-americana.

A web 2.0 seria a nova versão da rede, com mais recursos e poder. Algo assim. Quem cunhou o termo foi um grupo de executivos liderado por Dale Dougherty, vice-presidente da influente editora O’Reilly, especializada em tecnologia. O mercado precisava de um termo para identificar novos recursos que pululavam e faziam diferença na web. Surgiu esse conceito, que até hoje rende pano para manga em discussões sobre suas fronteiras. Ninguém consegue dizer qual a abrangência de seu leque.

Em termos genéricos, web 2.0 refere-se a ferramentas e serviços que permitem colaboração entre os usuários e que são baseados na própria rede, ou seja, não precisam ser instalados no computador. Recursos que permitem ao internauta criar e publicar conteúdo, como os blogs, wikis e comunidades virtuais. Ou que possibilitam a troca de arquivos, fotos, vídeos ou músicas de computador para computador (de pessoa para pessoa, peer-to-peer). São as redes de relacionamento, os jornais feito por gente que não é profissional da comunicação, a possibilidade de dar nota a uma pessoa, uma notícia ou produto, criando rankings e moedas sociais.

Nada a ver com internet

É tão difícil definir o termo que o próprio relatório do Pew Internet Project começa esclarecendo o que web 2.0 não é: ela não tem nada a ver com internet (e sim com world wide web, com a rede, interface gráfica da internet), nem é uma nova internet que opera separadamente da antiga. Segundo o relatório, que destoa do tom reservado desse tipo de estudo, “é bem normal se você ouvir o termo e balançar a cabeça ao reconhecê-lo, sem ter a mínima idéia do que ele realmente significa.”

E-mail ainda é rei

A primeira conclusão do estudo é que ninguém sabe dizer quando termina a web 1.0 e começa a 2.0. Outra conclusão: apesar de a web 2.0 ser a bola da vez, ainda é o velho e bom e-mail que reina absoluto nos Estados Unidos como atividade mais utilizada. E ele não tem nada a ver com web 2.0.

“Apesar de toda essa comoção a respeito de colaboração, participação e libertação da informação estática, remanescentes da experiência do usuário no linóleo da web 1.0 ainda repousam sob o colorido tapete da web versão-o-retorno”, diz o bem-humorado relatório.

É bom lembrar que a web 2.0 é uma garotinha de apenas dois anos de idade. Ela vai crescer e amadurecer, o tempo dirá em que direção. E também é bom lembrar que nós, os internautas brasileiros, somos loucos por interação e comunidades virtuais, muito mais do que os americanos, por exemplo, proporcionalmente.

“Não importa se chamamos de 1.0 ou 2.0″, conclui o estudo. “Não há dúvida de que a internet de hoje parecerá uma versão beta para as futuras gerações.”

Essa conversa sobre web 2.0 vai longe.