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“O peixe que comia estrelas cadentes”, exposição da dupla de grafiteiros do Cambuci conhecida como osgemeos, fica somente até este sábado, 16 de setembro, na Galeria Fortes Vilaça, na Vila Madalena. Colorido e feliz, o trabalho dos irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo engole meteoros para cuspir sonho, brincadeiras visuais e um irresistível olhar inocente.
A mistura de realismo mágico com feira medieval e cordel é uma das boas surpresas dessa temporada, que começa a pegar fogo – vem aí a Bienal e suas milongas sobre vida coletiva. Durante alguns meses, a instalação de osgemeos foi “o” passeio descolado em São Paulo para adultos, crianças e até bebês. Ganhou um boca-a-boca forte em blogs e fotoblogs. Formaram-se filas na galeria, que chegou a fechar as portas durante um sábado, quando 800 pessoas passaram por ali.
Mas não é que um crítico desses que tem porte para discutir arte conceitual e os rumos da produção contemporânea xingou a exposição de desfile de escola de samba? Era o mau humor que havia levantado a tampa de um bueiro para mostrar a cara feia.
É muito feliz – em todas as acepções da palavra – a transposição dos personagens amarelinhos e grafitados para o circuito formal das artes visuais. O peixe engolirá estrelas cadentes até sábado. Depois osgemeos seguem carreira internacional, famosos em vários idiomas.
Fio da meada
O mau humor? Esse volta a mostrar a cara feia. Sempre volta. Encontrei-o no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) quando fui visitar uma exposição chamada “Manobras Radicais”. Uma das paredes está coberta de facas e coldres de couro. Funciona assim: você tenta passar no corredor onde está a obra e um segurança pula à sua frente, com a mão no revólver e a cabeça nos ataques do PCC.
Você quase morre de susto, pragueja, manda a produção contemporânea catar coquinho e vai até a urna de sugestões. Deixa um apelo à instituição, argumentando ser apenas um visitante e não uma ameaça. A instituição, solidária, responde que tentou alterar a forma de exibição da coleção Ginsu, mas a artista não concordou.
Tudo bem. O antídoto fica na sala ao lado. Um fiapo de seda branca enroscado em qualquer coisa tem ao lado uma plaquinha com o nome da artista. Só rindo. Na próxima vez em que sua camiseta soltar um fio de linha, corra até o museu mais próximo, pendure na parede e assine. É suuuuperconceitual.

R. J. Miller
September 14th, 2006 at 12:57 pm
The solution for anyone who has any doubts, of course, is to go see it. I doubt very much whether many will leave the exhibit in a bad humor.
Helena
September 14th, 2006 at 2:45 pm
Aninha, querida! Tive uma experiência semelhante à sua ao visitar “Manobras Radicais” – aliás, que nome hein? Parece-me que outro excelente antídoto para espantar o mau humor nessa exposição do CCBB é aquela instalação de finas e antigas meias de seda femininas, de todas as colorações – beiges, marrons, dourados… que ficam balançando penduradas numa parede. Pensei a mesma coisa que vc: acabo de jogar fora uma coleção de meias como aquelas – será que são as mesmas? – e que pertenceram, no passado, a avós e tias-avós. Acho que perdi uma oportunidade única de me transfigurar em artista. Suuuuperconceitual!!!