Um lindo e garboso cisne negro apaixonou-se por um pedalinho. Uma linda e talentosa jornalista deslumbrou-se com o poder. Romeu e Julieta de histórias diferentes, em comum eles têm um objeto de desejo ilusório e enganador.
O cisne mora no lago alemão chamado Aasee, em Münster, Westfália, noroeste da Alemanha. Sua história foi noticiada pela editoria Planeta Bizarro do G1, o novo portal de jornalismo da Globo. Monogâmico, ele talvez morra de dor quando a água do lago congelar e sua musa retirar-se para a garagem durante todo o inverno.
Andrea é a Julieta do mundo fashion em “O Diabo Veste Prada”. No filme, a personagem interpretada pela atriz Anne Hathaway chega à redação da principal revista de moda dos Estados Unidos em busca de uma oportunidade no mundo do jornalismo. Com apenas alguns golinhos de glamour ela se intoxica e, como o cisne, apaixona-se por uma mentira. Andrea cai de amores pelo poder, ah, o poder…
“O Diabo Veste Prada” não é tolinho como parece, nem como dizem por aí. Ele coloca roupagem elegante em uma história sobre assédio moral e jogos de poder que envolvem imprensa, chefes e subordinados, opinião pública e mercado. Poderia ser um filme de ação, mas é uma comédia. Cai bem com pipoca.
Andrea não sabe o que é jabaculê, mas logo descobre. Ganha roupas de grife, presentinhos cheirosos, brindes exclusivos e viaja a Paris. Convive com uma Cruela Cruel sem dálmatas que se exercita na aeróbica da humilhação: a editora de moda mais poderosa do mundo.
É verdade: Meryl Streep está mesmo genial. A atriz livrou-se daqueles papéis de mulher madura em crise e vive um dos melhores momentos de sua carreira como a sádica editora que cospe maldades com voz aveludada. A certa altura, Andrea ouve de sua chefe algo como: “se você não fizer o que eu mando, não vai conseguir emprego em nenhum lugar algum”. (Um parênteses: essa síndrome de onipotência, seria ela como uma gripe que se espalha pelas corporações?)
Andrea engole os sapos. Mesmo depois de um ano de assédio moral constante, ela reluta. Não consegue retornar à vida miúda, acostuma-se ao champanhe grátis de cada dia e também à criativa turbulência de uma redação bem-sucedida. Justifica-se diante dos amigos, diz que aquele emprego lhe abrirá portas.
Ninguém acredita na pobre Andy. Amigos, família e colegas de imprensa, todos enxergam seu amor pelo pedalinho.
