2006 September | anacarmen.com

Arquivo do mês: September, 2006

Cisne se apaixona pelo pedalinho que veste Prada

Um lindo e garboso cisne negro apaixonou-se por um pedalinho. Uma linda e talentosa jornalista deslumbrou-se com o poder. Romeu e Julieta de histórias diferentes, em comum eles têm um objeto de desejo ilusório e enganador.

O cisne mora no lago alemão chamado Aasee, em Münster, Westfália, noroeste da Alemanha. Sua história foi noticiada pela editoria Planeta Bizarro do G1, o novo portal de jornalismo da Globo. Monogâmico, ele talvez morra de dor quando a água do lago congelar e sua musa retirar-se para a garagem durante todo o inverno.

Andrea é a Julieta do mundo fashion em “O Diabo Veste Prada”. No filme, a personagem interpretada pela atriz Anne Hathaway chega à redação da principal revista de moda dos Estados Unidos em busca de uma oportunidade no mundo do jornalismo. Com apenas alguns golinhos de glamour ela se intoxica e, como o cisne, apaixona-se por uma mentira. Andrea cai de amores pelo poder, ah, o poder…

“O Diabo Veste Prada” não é tolinho como parece, nem como dizem por aí. Ele coloca roupagem elegante em uma história sobre assédio moral e jogos de poder que envolvem imprensa, chefes e subordinados, opinião pública e mercado. Poderia ser um filme de ação, mas é uma comédia. Cai bem com pipoca.

Andrea não sabe o que é jabaculê, mas logo descobre. Ganha roupas de grife, presentinhos cheirosos, brindes exclusivos e viaja a Paris. Convive com uma Cruela Cruel sem dálmatas que se exercita na aeróbica da humilhação: a editora de moda mais poderosa do mundo.

É verdade: Meryl Streep está mesmo genial. A atriz livrou-se daqueles papéis de mulher madura em crise e vive um dos melhores momentos de sua carreira como a sádica editora que cospe maldades com voz aveludada. A certa altura, Andrea ouve de sua chefe algo como: “se você não fizer o que eu mando, não vai conseguir emprego em nenhum lugar algum”. (Um parênteses: essa síndrome de onipotência, seria ela como uma gripe que se espalha pelas corporações?)

Andrea engole os sapos. Mesmo depois de um ano de assédio moral constante, ela reluta. Não consegue retornar à vida miúda, acostuma-se ao champanhe grátis de cada dia e também à criativa turbulência de uma redação bem-sucedida. Justifica-se diante dos amigos, diz que aquele emprego lhe abrirá portas.

Ninguém acredita na pobre Andy. Amigos, família e colegas de imprensa, todos enxergam seu amor pelo pedalinho.

Pérolas sobre a mágica do marketing

Listas são parte da cultura pop. Quem viu o filme “Alta Fidelidade”, dirigido por Stephen Frears, ou leu o livro de Nick Hornby que o inspirou, lembra-se do sentimento de conforto experimentado pelo protagonista ao elaborar listas. Das músicas de que ele mais gostava, mais detestava, as mais pungentes, as mais bobocas.

Em outro segmento, que reúne as pessoas que ensinam como fazer o tempo render e como sobreviver a uma infindável maratona de tarefas, David Allen afirma que as listas são essenciais. Você enumera pendências e elimina os itens à medida em que elas são resolvidas, ensina o autor de “A Arte de Fazer Acontecer”. Desta forma, você se organiza e aumenta sua produtividade.

Ao mesmo tempo em que você enumera as tarefas por meio de uma lista, desobriga o cérebro de lembrar-se delas e faz com que seu corpo libere neurotransmissores ligados ao prazer. (Não é exatamente isso que Allen escreve, mas essa é a idéia.)

Seth Godin, autor de vários livros sobre marketing na web, é outro grande defensor de listas. Godin aconselha blogs e sites a usá-las para aumentar a audiência de seus endereços na rede.

Listas são relaxantes, fazem bem aos autores de livros e também às nossas vidas, segundo eles.

Em homenagem ao poder das listas, seguem as pérolas de Seth Godin sobre a mágica do marketing:

1- Publique as informações em forma de lista.
2- Não seja chato.
3- Para ter mais audiência: seja o primeiro a dar a notícia.
4- Para ter muita audiência: escreva em chinês.
5- As pessoas querem um menu no qual os preços não são todos iguais.
6- As pessoas querem o novo modelo antes que qualquer um consiga tê-lo, mas somente se todos realmente quiserem tê-lo.
7- As pessoas não acreditam no que você diz a elas, nem no que você mostra a elas. Freqüentemente acreditam no que os amigos contam a elas. Sempre acreditam no que elas dizem a si mesmas.
8- Não é porque algo é difícil é que vai funcionar.
9- Se você lida com clientes, é muito provável que alguns deles queiram tirar proveito de você.
10- Troque as boas idéias em miúdos para as outras pessoas.

Aquecimento global: quem paga a conta?

O buraco na camada de ozônio bateu recordes nesse início de primavera que, por sinal, é o próprio samba do crioulo doido. Passamos de frio intenso para temperaturas desérticas em poucas horas e, como disse uma amiga, qualquer dia vamos trincar como vasos. Segundo o alerta da Organização Meteorológica Mundial, das Nações Unidas, o buraco tem hoje 28 mil km2 e aumentou de forma acelerada no último mês.

Aquecimento global já não é mais assunto de ecologistas militantes, entrou para a rotina de qualquer pessoa. Já ouvi alguém fazer as contas a respeito da compra de um imóvel a beira-mar que, afinal, pode estar submerso daqui a alguns anos. O gelo nos pólos está derretendo. Pela primeira vez no último meio milhão de anos, todo o gelo do Oceano Ártico poderá, em breve, derreter durante o verão, segundo relatório divulgado pela National Science Foundation, agência de financiamento à pesquisa do governo norte-americano.

Já neste ano é possível, pela primeira vez, chegar ao pólo Norte de barco, a partir do arquipélago de Spitzberg, na Noruega, ou do norte da Sibéria. Quem explica isso é Mark Drinkwater, da Agência Espacial Européia. Drinkwater também fez suas contas. Disse que daqui a uns 20 anos, durante o verão, será possível dar a volta no globo em um veleiro pelo Oceano Ártico.

Conta de doido

Contas sobre como nos adaptar e tirar lucro do aquecimento global são ensandecidas. É como se procurarássemos uma trilha sonora para o momento em que a vaca vai para o brejo. Não há leveza possível nesse movimento.

Não se trata de deslocar os resorts de esqui europeus para o Tibete, como se fala nos relatórios da indústria de turismo, já que a neve na Europa tende a desaparecer. Não se trata de responder à terrível dúvida “como faremos para esquiar nas férias?” Trata-se de uma mudança complicadíssima na forma como vivemos e explorarmos os recursos naturais.

Richard Branson, o multimilionário inglês a quem só falta pendurar uma melancia no pescoço para aparecer, também fez contas. Tomou a iniciativa mais fantástica de toda sua coleção de aventuras, que incluem a criação de uma empresa de turismo espacial e a participação em episódio dos Simpsons.

Branson doou US$ 3 bilhões, lucro gerado pelos negócios de transportes de sua empresa, a multinacional Virgin, para a luta contra o aquecimento global. A Virgin opera linhas aéreas e ferroviárias. O dinheiro será administrado pela Iniciativa Global Clinton (sim, o ex-presidente dos EUA) e será investido na pesquisa de alternativas ao petróleo como combustível. Na conta de Branson, logicamente, entrou o US$ 1 bilhão que suas empresas gastaram nos últimos três anos com a alta do petróleo.

Proteção de tela e planeta

No site da BBC encontra-se uma forma muito simples de participar das pesquisas sobre as mudanças no clima. Trata-se de um experimento da Oxford University que usa a capacidade de processamento de seu computador nas horas em que ele está ocioso. Basta instalar um programa que funciona como protetor de tela. Quando você não estiver usando o computador, ele será usado para processar os dados da pesquisa. Não é preciso fazer mais nada.

São necessários 10 mil voluntários para o experimento. Essa conta ainda não fechou.

Mude a senha: Writely migra para o Google

O Writely agora funciona com a senha do Gmail. O serviço de escrita colaborativa, eleito essa semana pela revista Wired como um dos melhores da web 2.0 foi adquirido pelo Google. A migração de empresas provocou a mudança – automática – no log in do serviço.

A recém-lançada coleção de livros “Conquiste a Rede” foi escrita via Writely em parceria com Roberto Romano Taddei. O processador de texto baseado na rede funcionou à perfeição: quando alguém alterava o texto, a atualização era imediata. Além disso, o Writely oferece um recurso importante para quem escreve a quatro mãos: o histórico das diferentes versões do texto.

Senha para o cérebro?

Senha é uma ginástica para a memória. Temo que em breve eu precise de senha para usar o cérebro, que não dá conta de tantos números, letras e combinações de alta segurança. Tão seguras que nem eu mesma consigo lembrar.

Criei um documento para guardá-las todas. São três ou quatro para emails, mais duas para o banco e um sem fim de sites nos quais é necessário fazer o log in. Não foi o suficiente, pois depois de formatar meu computador, perdi o caminho para o Blogger e o Skype. Desisti de recuperar minha identidade e criei novos personagens em ambos endereços.

Graças à “cola”, ainda consigo entrar no You Tube, Bloglines, Vimeo, New York Times, Orkut, Flickr, Odeo, Overmundo, Google Talk, Live Messenger, Delicious e WordPresss, só para citar alguns endereços. Já perdi a palavrinha mágica para muitos outros. No ICQ, qual seria, por exemplo, o meu abre-te sésamo? Não faço idéia.

Como queríamos demonstrar: que coisa mais chata são as senhas.

Circo Alexander Calder, entrada grátis pelo You Tube

Respeitável público, vem aí o circo de Alexander Calder (1898-1976), famoso criador de móbiles que nunca deixou de ser um meninão. Jean Cocteau, Miró, Fernand Léger, Mondrian e Le Corbusier freqüentaram suas arquibancadas em Paris. Essa turma da pesada e de vanguarda ia para o picadeiro montado no chão da sala do apartamento do artista (um norte-americano radicado na França, como era moda) e a noite escorria entre risadas. Agora, pelo You Tube, é possível juntar-se à ilustre platéia.

Quatro trechos de uma apresentação do circo de Calder filmada em 1961 por Carlos Vilardebo estão disponíveis para download. A impressão é de que Calder também se divertia muito com as incríveis atrações que construía com arame, lã, papel, rolha, madeira, barbante e tecido.

No clip número 1, o artista, já mais avançado em idade, faz o equilibrista saltar sobre o cavalo.

No clip número 2 ele mostra focas, camelos e a dança do ventre de uma Josephine Baker de arame.

No filminho número 3, rola até luta livre na lona.

No clip número 4, vê-se corrida de bigas, malabarismos no trapézio e outros números de talento e prodígio.

O circo nos tempos de Paris

A melhor parte da mostra “Alexander Calder no Brasil”, em cartaz na Pinacoteca de São Paulo, é um filme que mostra o circo nos tempos de Paris, mais antigo que o disponível no You Tube. O lado moleque de Calder está lá, para quem quiser rir. A cena do atirador de facas não se esquece facilmente.

Claro que exposição traz obras geniais – esculturas, pinturas, muitos móbiles, um engraçado retrato de Lina Bo Bardi – mas o filme é um de seus pontos altos, pois revela a chave para o universo de Calder. Ele veio ao Brasil três vezes. Tocou maracas, incorporou a figa aos trabalhos em metal e levou um pouco de samba no pé. Fez história nas artes visuais do Brasil e foi um dos expoentes do século 20. A dica é: antes de ver qualquer obra da exposição, assistir ao filme para ver toda essa trajetória com outros olhos.

Por onde anda ‘Conquiste a Rede’

Alguns rituais interessantes, como a noite de autógrafos, desaparecem quando você lança livros pela web. O frio na barriga que antecede o vinho branco barato não evapora com a festa ao lado dos amigos. Fica ali, miudinho, escondido embaixo de URLs, posts e comentários, sem catarse.

Tudo é diferente. “Conquiste a Rede”, uma coleção de livros sobre ferramentas de comunicação e interação, foi ao ar pelo Overmundo. Tivemos, os dois autores, Ana Carmen Foschini e Roberto Romano Taddei, uma apresentação entusiasmada do Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas e diretor do projeto Creative Commons no Brasil. Foi um brinde bacana.

Em vez de fila dos autógrafos, os quatro títulos – Blog, Flog & Vlog, Podcast e Jornalismo Cidadão – ficaram na “fila da edição”, onde os internautas podiam criticar e comentar os textos durante 48 horas. Em seguida, os livros foram para a “fila de votação”, à espera da opinião da comunidade virtual. Todos passaram por esse crivo e conquistaram seu lugar no Banco de Cultura do Overmundo, onde estão disponíveis para download.

A coleção foi ainda para o site do Ministério da Cultura, para o Cultura Livre e Creative Commons Brasil.

A liberdade de distribuição que a licença Creative Commons oferece, além de ser simpática, funciona. Poucos dias depois de lançada pela web, “Conquiste a Rede” começa a ser lida. É um ângulo interessante dessa nova forma de publicar: o retorno dos leitores não demora. É na lata, pá-pum.

O caminho

“Jornalismo Cidadão – Você faz a notícia” foi o livro que chamou a atenção do blog do Marmota. Agradeço ser excluída da “horda de bárbaros” que “repassa e-mails com apelos, promoções inexistentes e não-textos do Veríssimo”.

“Conquiste a Rede” também está no blog do Estadão do Renato Cruz, que por sua vez repercutiu no Impressão On Line. A coleção foi para os blogs Vírgula Nada, NerdGames e também foi notada pelo site Jornalistas da Web.

Ninguém leu quatro livros de imediato. Amigos, internautas e profissionais particularmente interessados no tema devoraram um ou outro dos quatro títulos. É um começo de conversa.

Quem tem um blog, um fotoblog e um videoblog quer leitores. Quem tem uma coleção de livros sobre os temas, deseja ainda mais: quer leitores e quer saber o que eles acham, como eles interagem, como se comunicam e o que descobriram essa semana. Que link bacana eles repassaram hoje à tarde? Qual o novo ambiente que entrou em beta essa semana?

Hoje à tarde me indicaram o link Como dissuadir você mesmo de ter um blog. Trata-se de um título enganoso, pois o texto é engajado na causa wiki page, defende o texto escrito de forma colaborativa.

Conselho desse link ao cair da tarde: “Fique tranqüilo. É totalmente respeitável não ter um blog.”

Conquiste a Rede é lançada nos sites Overmundo, Cultura Livre e Creative Commons Brasil

A coleção de livros “Conquiste a Rede” está no ar. Foi lançada nos sites Overmundo, Cultura Livre e Creative Commons Brasil. Caiu na rede, deve seguir seu caminho. A idéia é divulgar os quatro livros – “Blog”, “Flog e Vlog”, “Podcast” e “Jornalismo Cidadão” – para que eles tenham o destino para o qual foram criados: permitir que mais e mais pessoas entendam melhor e possam se beneficiar dos caminhos criativos da web. Quanto mais leitores tiver a coleção, melhor ela cumprirá sua missão.

As condições para divulgá-la são: dar os devidos créditos, não usá-la para fins lucrativos e compartilhá-la pela mesma licença. Qualquer internauta pode lê-la, sem custos.

Como apresentamos a coleção:

“Conquiste a Rede é um convite para participar do processo de criação coletiva na internet. Com um pouco de conhecimento, cada um de nós pode tornar-se dono de um veículo de comunicação. Convidamos você a ocupar seu espaço nessa plataforma onde vozes de todo o mundo interagem.

Nesse cenário, a contribuição de cada pessoa tem valor inestimável para a troca de conhecimento e os princípios de igualdade. Procuramos apresentar alguns conceitos básicos para que o controle da comunicação seja compartilhado com cada internauta.

Ferramentas de publicação acessíveis na rede revolucionaram o modo como as pessoas consomem, interpretam, produzem e divulgam informações. Elas permitem ao internauta deixar de ser um receptor silencioso para tornar-se um criador. Falamos sobre as principais ferramentas que contribuem para a descentralização da produção: blogs, podcasts, flogs e vlogs.

Colaboração é a palavra-chave e, por isso, o conceito de jornalismo cidadão permeia todos os títulos da coleção. Ocupar seu espaço na web significa também transformar o jornalismo em uma conversa de um para um, um para muitos e de muitos para muitos.

Algumas questões norteiam a coleção: contribuir para os esforços multilaterais de inclusão digital da população brasileira, apresentar referências para várias plataformas de computadores, como PC, MAC e Linux, e sugerir o uso de ferramentas gratuitas, uma vez que participar desse novo universo é uma questão de cidadania.

A coleção pretende reunir informações e conhecimentos raramente apresentados em português. Assumimos o risco de registrar um universo mutante porque acreditamos que a exclusão digital vem também da dificuldade em navegar sem as referências necessárias. Colocamos um glossário simplificado no final de cada título com esse mesmo objetivo.

A coleção foi concebida para usuários da web em geral, para cidadãos digitais. Ela quer ser um começo de conversa para facilitar o acesso a um mundo virtual necessário para a realização pessoal e profissional. Não pretende esgotar o assunto.”

Ana Carmen Foschini e Roberto Romano Taddei, Agosto de 2006

Antídoto contra o mau humor

osgemeos

“O peixe que comia estrelas cadentes”, exposição da dupla de grafiteiros do Cambuci conhecida como osgemeos, fica somente até este sábado, 16 de setembro, na Galeria Fortes Vilaça, na Vila Madalena. Colorido e feliz, o trabalho dos irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo engole meteoros para cuspir sonho, brincadeiras visuais e um irresistível olhar inocente.

A mistura de realismo mágico com feira medieval e cordel é uma das boas surpresas dessa temporada, que começa a pegar fogo – vem aí a Bienal e suas milongas sobre vida coletiva. Durante alguns meses, a instalação de osgemeos foi “o” passeio descolado em São Paulo para adultos, crianças e até bebês. Ganhou um boca-a-boca forte em blogs e fotoblogs. Formaram-se filas na galeria, que chegou a fechar as portas durante um sábado, quando 800 pessoas passaram por ali.

Mas não é que um crítico desses que tem porte para discutir arte conceitual e os rumos da produção contemporânea xingou a exposição de desfile de escola de samba? Era o mau humor que havia levantado a tampa de um bueiro para mostrar a cara feia.

É muito feliz – em todas as acepções da palavra – a transposição dos personagens amarelinhos e grafitados para o circuito formal das artes visuais. O peixe engolirá estrelas cadentes até sábado. Depois osgemeos seguem carreira internacional, famosos em vários idiomas.

Fio da meada

O mau humor? Esse volta a mostrar a cara feia. Sempre volta. Encontrei-o no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) quando fui visitar uma exposição chamada “Manobras Radicais”. Uma das paredes está coberta de facas e coldres de couro. Funciona assim: você tenta passar no corredor onde está a obra e um segurança pula à sua frente, com a mão no revólver e a cabeça nos ataques do PCC.

Você quase morre de susto, pragueja, manda a produção contemporânea catar coquinho e vai até a urna de sugestões. Deixa um apelo à instituição, argumentando ser apenas um visitante e não uma ameaça. A instituição, solidária, responde que tentou alterar a forma de exibição da coleção Ginsu, mas a artista não concordou.

Tudo bem. O antídoto fica na sala ao lado. Um fiapo de seda branca enroscado em qualquer coisa tem ao lado uma plaquinha com o nome da artista. Só rindo. Na próxima vez em que sua camiseta soltar um fio de linha, corra até o museu mais próximo, pendure na parede e assine. É suuuuperconceitual.

Quando a tecnologia molda a vida

Um blog fez com que duas gêmeas chinesas de apenas 3 anos, separadas logo após o nascimento, se reencontrassem nos Estados Unidos. Quem revelou essa espécie de ciberconto de fadas foi o jornal britânico The Times.

Em Chicago, os pais adotivos de uma das meninas mantinham um blog sobre a experiência de adotar crianças no exterior. Os pais da outra chinesinha, moradores de Prembroke Pines, na Flórida, eram leitores do blog. A partir de semelhanças, fotos e testes de DNA, os casais fizeram a conexão e marcaram um encontro. Foi assim que graças a um blog a vida das gêmeas se transformará profundamente, uma vez que elas terão nova oportunidade de crescer próximas uma da outra.

Gafe com a marca do Zorro

Esse lado construtivo nem sempre é o que aparece quando a tecnologia molda nossas vidas. Gafes, por exemplo, são uma dos aspectos menos floridos.

Quem não cometeu ainda alguma gafe eletrônica não costuma se comunicar por e-mail. Seja mensagem para destinatário errado, seja mensagem com emoções das quais você se arrepende depois, a gafe eletrônica é algo inevitável. Um dia ela acontece.

Tenho um grande vexame na parede das gafes homéricas por e-mail e, nesses dias, estreei em novo terreno: gafe no fotoblog. Ocorreu no Flickr, meu serviço favorito para postar fotos, que é totalmente voltado para a vida em comunidade.

A gafe chegou por meio de uma mulher que cria raccoons, uma espécie de raposinha com óculos de Zorro. “Coruja das altas horas”, seu nickname, ou apelido, colocou no ar uma linda foto do pôr do sol em um pântano. Embaixo, escreveu linhas e mais linhas de texto, que eu não tive vontade de ler. Antes de deixar as fotos de dona Coruja, cumprimentei-a pelo “momento fantástico” que ela registrou.

Dias depois, recebi um alerta enviado por outro “amigo” de Flickr. O texto da foto de Coruja das Altas Horas descrevia uma crise. Todos os bichinhos estavam doentes. No texto que ignorei, ela desabafava e pedia fundos para ajudar no tratamento de seus amados zorrinhos. Não havia momento fantástico algum. Meu comentário era uma ilha de mau gosto no meio de uma corrente de boas intenções.

Ops. Deixei outro recado com desculpas mil, fui perdoada e comecei meu aniversário com uma preocupação tão estranha: magoar uma amiga virtual e ganhar sua compreensão.

Pedaço de bolo virtual

Nunca um aniversário meu foi comemorado de forma tão virtual quanto neste ano. Isolada (por gosto e opção) em uma montanha onde nem o celular dá o ar da graça, comemorei com a família, amigos próximos e conhecidos por telefone, email, cartões eletrônicos, scraps, posts, torpedos e todos os recursos high tech de interação.