Upload é uma das coisas que fizeram o mundo encolher. Quem diz isso é o americano Thomas L. Friedman, expert em relações internacionais que é colunista do jornal The New York Times e coleciona prêmios Pulitzer. A idéia aparece em sua obra mais recente, The World is Flat, título que pode ser traduzido tanto como O Mundo é Plano como O Mundo é Chato.

Friedman explica de que forma o ato de colocar na internet quaisquer arquivos - texto, vídeo, áudio, imagem, o que for – transformou fronteiras e contribuiu para a globalização. O livro, lançado este ano no Brasil como O Mundo é Plano, saiu também em formato de audiobook pela Audible. Escolhi esta opção.

Blogs, flogs, vlogs, jornalismo participativo, tudo isso funciona graças à facilidade com que hoje fazemos upload. Não é preciso muita habilidade. Friedman fala em “plug and play”, algo como ligar e brincar, o mesmo princípio de uma torradeira, por exemplo, basta ligar e usar.

Com essa facilidade, a comunicação e a interação pela web aproximam-se do uso da torradeira no café da manhã que, em termos técnicos, não requer habilidade. Já em termos de criatividade…

Em português, dizemos “jogar o arquivo na rede”, “colocar no ar”. São palavras simpáticas. Mas nem tudo é brincadeira. Durante as últimas eleições, fiz o upload de cinco centenas de pesquisas de opinião, coisa séria, que mexe com o destino do país, das pessoas, dos candidatos. E nesses dias em que o blog começa a esquentar os tamborins, spiders (robozinhos) dos sites de busca já rastrearam meus recentes uploads. Não senti tanta leveza.

Não há qualquer possibilidade de controle. O upload ao alcance de todos contraria Cristóvão Colombo, que nos mostrou que o mundo era redondo. Hoje em dia, o mundo lembra o quintal da tia Maria, segundo as idéias de Friedman, tudo ali muito pertinho.