Arquivo do mês: August, 2006

‘Grande Sertão: Veredas’ liberado na web

“Viver é um negócio muito perigoso”, escreve Guimarães Rosa em sua obra mais conhecida, “Grande Sertão: Veredas”, lançada há exatos 50 anos. Para comemorar a efeméride, a editora Nova Fronteira experimenta o sabor dessa constatação e oferece a obra para download na web até dezembro de 2006.

Baixe a edição comemorativa de “Grande Sertão: Veredas”.

Imensidade

Editar livros também é um negócio muito perigoso. Você pode reparar que na página onde se faz o dowload da obra há um minutinho para os comerciais da versão impressa. A argumentação soa um pouco desesperada: “Livro é portátil, livro dispensa eletricidade e baterias, livro é o melhor suporte já inventado para o diálogo entre o leitor e o texto.”

Sei, sei. Livro é caro e, a rede, líquida, fluida. Ela cabe nas palavras de Rosa: “aquela terrível água de largura: imensidade”. Água, quando represada aqui, acaba escoando ali por um algum buraquinho. Colocar o livro na rede é ótimo exercício, é aprender o caminho das águas.

Boa companhia

Vale a pena xeretar no portal Domínio Público, Guimarães Rosa está na boa companhia de Machado de Assis, Shakespeare, Júlio Verne e tantos outros na lista de obras que podem ser lidas sem qualquer custo para o internauta.

Upload

Upload é uma das coisas que fizeram o mundo encolher. Quem diz isso é o americano Thomas L. Friedman, expert em relações internacionais que é colunista do jornal The New York Times e coleciona prêmios Pulitzer. A idéia aparece em sua obra mais recente, The World is Flat, título que pode ser traduzido tanto como O Mundo é Plano como O Mundo é Chato.

Friedman explica de que forma o ato de colocar na internet quaisquer arquivos – texto, vídeo, áudio, imagem, o que for – transformou fronteiras e contribuiu para a globalização. O livro, lançado este ano no Brasil como O Mundo é Plano, saiu também em formato de audiobook pela Audible. Escolhi esta opção.

Blogs, flogs, vlogs, jornalismo participativo, tudo isso funciona graças à facilidade com que hoje fazemos upload. Não é preciso muita habilidade. Friedman fala em “plug and play”, algo como ligar e brincar, o mesmo princípio de uma torradeira, por exemplo, basta ligar e usar.

Com essa facilidade, a comunicação e a interação pela web aproximam-se do uso da torradeira no café da manhã que, em termos técnicos, não requer habilidade. Já em termos de criatividade…

Em português, dizemos “jogar o arquivo na rede”, “colocar no ar”. São palavras simpáticas. Mas nem tudo é brincadeira. Durante as últimas eleições, fiz o upload de cinco centenas de pesquisas de opinião, coisa séria, que mexe com o destino do país, das pessoas, dos candidatos. E nesses dias em que o blog começa a esquentar os tamborins, spiders (robozinhos) dos sites de busca já rastrearam meus recentes uploads. Não senti tanta leveza.

Não há qualquer possibilidade de controle. O upload ao alcance de todos contraria Cristóvão Colombo, que nos mostrou que o mundo era redondo. Hoje em dia, o mundo lembra o quintal da tia Maria, segundo as idéias de Friedman, tudo ali muito pertinho.

Os olhos do telescópio Chandra

Descobriu-se que três quartos do universo são feitos de energia escura e outros 21% constituem-se de matéria escura, duas coisas que revelam sua natureza apenas pelos efeitos gravitacionais que causam. Apenas 4% do universo são de matéria comum, da qual são feitos estrelas, planetas e seres humanos.

Até esta semana, esses dados eram contestados por muitos cientistas. Há poucos dias, no entanto, quando um telescópio de raio X da Nasa chamado Chandra registrou um acontecimento cósmico de proporções gigantescas – muito distante, ainda bem, já que se trata de um choque entre aglomerados de galáxias – foi possível reunir novas evidências que comprovam a teoria.

As novidades sobre o Cosmo foram inspiradoras. Se mais de três quartos do universo são feitos de mistério, pensei, posso começar a escrever. Algumas vezes, os temas são como a matéria escura, que existe e ninguém ainda sabe o que é.