Slam: gravidez aos 16 by Nick Hornby

Esse cartoon de Doug Savage faz uma brincadeira com Magritte: Ceci n’est pas une pipe.

Mas também brinca com a capa de Slam, livro do escritor inglês Nick Hornby (Alta Fidelidade, About a Boy, entre outros best sellers), que acabei de ler hoje.

Como foi presente do Francisco no dia das mães (obrigada, pai do Francisco), eu dei um jeito de ler o livrinho na hora do meu recreio. Não é tão bom como outros do autor, mas foi uma leitura leve, tipo xampu para a mente cansada.

Fala da gravidez na adolescência do carinha da porta ao lado. Um skatista arranja uma namorada, a primeira. Ela engravida. Eles têm o filho. Os pais estão no meio da história. O garoto tem cabeça de minhoca e conversa com o poster do Tony Hawk, o skatista que é seu ídolo. O poster é seu melhor amigo.

É educativo, sem ser moralizante. Comentei sobre o livro com a mãe de uma menina de 12 anos. Vi seus olhos se esbugalharem como dois ovos fritos. “E eles têm o filho?” O terror no século 21.

Sour: música para todos os dias

Clip feliz do Sour para “Hibi No Neiro” (Tone for Everyday).

Esse vídeo foi feito para ‘Hibi no Neiro’ (Tone of everyday), do primeiro EP do Sour, “Water Flavor”. As pessoas vêm de vários países e pertencem ao fã-clube da banda. Tudo foi captado por uma webcam.

Diretor: Masashi Kawamura + Hal Kirkland + Magico Nakamura + Masayoshi Nakamura

Via @kazi

A casa caiu

Três porquinhos Três porquinhos

Francisco já é fluente no embrulhol que só ele compreende, mas agora começou a formar frases.

A primeira foi “A casa caiu”. O pai chegava da rua e nós dois assistíamos aos Três Porquinhos pela milionésima vez. Ele correu contar as últimas sobre a casa de palha.

Nessa mesma semana, a empregada pediu as contas. Eu nem lamentei muito, não éramos felizes, nem ela, nem eu. Conseguimos “empurrar com a barriga” por nove meses e kaput. Finito.

Bem no meio da correria de um trabalho interessante, exaustivo e fora de um cronograma viável. Bem no meio da monografia de mestrado do Renato, das minhas pesquisas sobre imigração, das férias da escolinha, da viagem da vovó, da gripe suína, sei lá.

A casa caiu. Bem no meio da vida de verdade.

Movie, nova revista sobre cinema

Limite Limite

Semana passada recebi notícias do André Forastieri. Ele edita agora Movie, uma revista sobre cinema em versão papel e online.

A primeira coisa que me chamou atenção é que todo o conteúdo é licenciado por Creative Commons.

A segunda é que os suportes são tão importante quanto os títulos ou seja, você navega não só pelos filmes como por lançamento para cada formato: cinema, DVD, Blue-Ray e Séries.

O André continua com aquela ginga/lábia toda e explica:

“Ah, a Movie digital. Esta sexta-feira estreamos. Soft launch, como dizem os gringos, ou em português claro “ainda não está pronta para estrear mas vamo que vamo”.

A versão eletrônica de Movie tem duas grandes diferenças de todos os outros sites de cinema (pelo menos os que a gente conhece).

Primeiro, é o primeiro site de cinema focado em conteúdo em vídeo. Cinema é imagem em movimento. A internet agora é em banda larga. Não tem mais sentido fazer um site sobre cinema cuja maior parte do conteúdo é texto e foto.

Isso vai nos forçar a reaprender a fazer revistas, porque não basta botar um trailer qualquer lá, é preciso pensar editorialmente como transmitir a informação. Também não é televisão, porque vamos combinar vídeo, texto, foto etc. Uma mídia muito nova.

Segundo, uma mídia muito nova como essa exige muitas cabeças pensando, e por isso Movie é colaborativa. O site é absolutamente aberto para colaborações de todos os gêneros.

Todo o conteúdo - produzido por você, por mim, pela equipe e correspondentes e colaboradores de Movie, é publicado com uma licença Creative Commons. O que neste caso quer dizer que este conteúdo pode ser republicado por qualquer um em qualquer lugar da internet, contanto que dê o crédito para o autor e o veículo. Não pagamos nada pelo conteúdo da sua colaboração; não cobramos nada para este conteúdo ser reproduzido livremente na internet; e não cobramos nada, claro, para você acessar o site Movie.

O modelo para pagar as contas é tradicional: publicidade. Com uma diferença interessante: a possibilidade da veiculação de publicidade em vídeo. Vai funcionar? Apostamos que sim, no médio prazo.”

Em resumo, ele convida o povo a colaborar.

OBS: André, demorei, mas dei o toque a tempo. Sucesso nesse projetão!

Hospedaria da Mooca: o albergue dos imigrantes

Hospedaria do brás Hospedaria do Imigrante

No fim do século 19, a Europa estava em crise, enquanto o Brasil precisava de braços para as plantações de café. Os imigrantes se despediam de tudo o que conheciam e desciam no porto de Santos, onde embarcavam em um trem. Chegavam a São Paulo pela estação da Hospedaria do Imigrante.  Podiam ficar seis dias. Mais quatro se houvesse problemas no destino.

Recebiam um cartão de “rancho” que lhes dava direito a refeições, cama, banho. Depois, subiam em outro trem e viajavam para o oeste de São Paulo, para as fazendas de café. A história dos imigrantes nesse alojamento para mil pessoas termina em 1978, quando ainda recebia coreanos. No total, 2,5 milhões de pessoas passaram por lá. Em 1998, a Hospedaria foi transformada em Memorial do Imigrante. Nos fins de semana, a Locomotiva Baldwin 1922 ainda deixa a estação para uma voltinha com as crianças.

Estive lá a trabalho e me perguntei como não fui antes. No computador, é possível pesquisar a chegada das imigrantes pelo sobrenome. Minha família  aparece com várias grafias. Brava gente, como já escreveu alguém. Meu bisavô não foi para a lavoura, parou na cidade. Quantas histórias começaram ali.

Criança, de férias na casa de meus avós no interior, eu me equilibrava no trilho da ferrovia desativada. Os depósitos da estação tinham uma luz filtrada, bonita. Gostei de atiçar as lembranças com o que encontrei no pequeno museu ferroviário. Achei bonito encontrar uma máquina do tempo tão à mão.

14ª Festa da Imigração

Eu não sabia e acho que pouca gente sabe que neste domingo, dia 28, a 14ª Festa da Imigração mostra o rendado de nacionalidades que compõe São Paulo. Barraquinha japonesa ao lado da barraquinha indiana, na boa. Durante todo o domingo haverá música, dança das 10h às 18h.

Ai, que frio

Gato no forno/ Cat in the oven Gato no forno/ Cat in the oven

Não me lembro quando foi que em São Paulo fez tanto frio por tanto tempo. Semanas seguidas de temperaturas máximas de 20 graus e mínimas de até 7.

Engraçado como o corpo se acostuma e aos poucos, vamos diminuindo a quantidade de casacos. Incorporamos o frio à rotina e não deixamos mais de levantar tão cedo ou de sair ao ar livre só porque está gelado. O gorro entra para o layout básico, a echarpe e o cachecol viram coringas da estação.

Soube que o frio vai embora e, quer saber, não gostei muito. Desde que o aquecimento global entortou de vez as estações, sinto saudade do frio durante o inverno.

Comunicação não é um penduricalho

Não sou nem a favor, nem contra o diploma de jornalista, acho essa questão superada porque nunca existiu. Na prática, a exigência de diploma valia, ma non troppo, como expliquei jocosamente no post anterior com essa história de drible da vaca, uma das glórias de Pelé na Copa de 70.

Acho fundamental o jornalista ter preparo e conhecimento técnico, assim como formação humanista, humor, olhar curioso, bondade na alma, enfim, recheio. O problema é que nem os que “tiram” diploma de comunicação estão preparados, uma vez que o currículo das universidades está sempre defasado. Em relação às novas mídias, por exemplo, é um desastre. O professor de jornalismo às vezes ainda está na fase acústica e analógica e muito pouco pode acrescentar à formação dos alunos.

O problema mais difícil de superar reside em outra esfera, porém. Comunicação ainda é um penduricalho na visão de muita gente. É aquela bobagenzinha que qualquer um sabe fazer. O design é da sobrinha do cliente. O texto foi a estagiária que copiou não sei de onde. A foto foi esticada para “caber” na resolução necessária. O site é atualizado uma vez por mês pelo RH. O livro saiu em 15 dias porque finalmente liberaram a verba e agora tem de sair, de qualquer jeito, vai assim mesmo…

Comunicação parece algo que qualquer um pode fazer. Esse é o problema. É por isso que os jornalistas esperneiam tanto em relação ao fim da obrigatoriedade do diploma. Nós, jornalistas, sabemos o quanto é difícil trabalhar em Comunicação e o quanto ela é estratégica, importante, complexa e difícil de ser bem feita. A gritaria provavelmente vem desse sentimento de “agora é que a vaca vai para o brejo de uma vez”, em termo de qualidade e da remuneração que as pessoas desavisadas estão dispostas a dar a quem sabe trabalhar em comunicação.

Depois de baixar a poeira

Esse complemento aos primeiros comentários sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista foi escrito quando parei para refletir se, afinal, eu era contra ou a favor do diploma.

Tenho dois diplomas em Comunicação, alguns cursos de especialização, um desejo de seguir mestrado adiante, quando conseguir, mais de um quarto de século de carreira na área (jesusinho). Foi por meio dos anos de universidade, da convivência com profissionais, mais os anos de experiência, mais um compromisso contínuo comigo mesma de nunca parar de estudar que lidei com essa barafunda até agora. Acho que não chega a ser a receita do sucesso. Só sei de uma coisa: diploma não separa inteligentes de mentecaptos.

Diploma de jornalismo não é mais obrigatório

TV digital TV digital

Acompanhe pelo Twitter o que se falou no momento em que o STF decidiu por 8 votos a 1 que o diploma de jornalismo não é mais obrigatório para o exercício da profissão: #diploma

Fim do drible da vaca

Eu me formei na ECA/USP em Rádio e Televisão e pouco tempo depois trocava empregos em TV e produtoras pelo trabalho de repórter de um jornal. Fui contratada como assistente administrativo e sem ter uma única aula sobre o que é um lead, escrevi meu primeiro texto com um. Pirâmide invertida na intuição, quem sabe de tanto ler notícias.

Os anos se passaram e eu resolvi “tirar” um diploma de jornalismo para deixar de ser “tradutora” em outra redação. Entrei numa instituição de ensino que muito lembrava uma caixinha registradora. Tilim! Meu comentário sobre a formação dos futuros jornalistas ali é que era deformação. Sem entrar no mérito da instituição, o currículo em si era crítico, muito técnico, emburrecedor.

O diploma “serviu” uma ou outra vez na vida profissional. Mas veio a onda da globalização, da terceirização, da web 2.0, da especialização, do fim da mediação entre público e produtor de informação, veio o século 21 e eu me tornei empresária, dona de uma microempresa que presta serviços de comunicação. Eu-presária. Diploma… Para que, nessas alturas, pergunto eu?

Ah, tá, as redações. Sim, muitos trabalham em redações, inclusive eu, voltei a algumas por breves períodos, muito breves, muito críticos, muito cruz-credo-o-que-foi-feito-da-profissão-de-jornalista-nesse-país?

Os meios de comunicação estão em crise, o jornalista ficou prensado entre a mudança dos tempos e a verba minguada do dono do veículo, a inteligência do bom jornalista permaneceu a mesma e ficamos agora a ver os juízes a votar, 8 contra 1.

Na prática, o diploma já não servia muito, achava-se, quando era o caso, uma forma de contornar a obrigatoriedade (chegamos ao drible da vaca, você joga a bola por um lado, corre pelo outro e ultrapassa o adversário/obstáculo). Não se achava um jeito quando não havia vontade suficiente (sei por experiência própria).

Podemos agora voltar para o que realmente importa: a formação do jornalista ou de quem assume um papel na comunicação. Costumam trabalhar na área de comunicação profissionais das mais diversas áreas. O STF só formaliza o que já acontece na prática.

Trabalham na área profissionais com diploma de Relações Públicas (eles começam com produção de eventos e em assessorias de imprensa, terminam na coordenação de megaproduções), Letras e História (costumam escrever bem e são abduzidos), Filosofia (têm ótima formação e não arranjam outro emprego que não de professor), Publicidade (entendem de marketing, hypes, redes sociais, virais), Design (todo site, livro, jornal, newsletter precisa de um e eles acabam ficando), Ciências Sociais (mesmo caso dos filósofos), Computação (a nova geração chega com cursos do tipo Mídias Digitais, Tecnologia etc e tal).

Já trabalhei com jornalistas formados em Medicina, Geologia, Engenharia, Cinema, Direito, Biologia, Economia, Biblioteconomia. A lista é imensa. Ninguém era melhor ou pior por ter ou não diploma de jornalista. Importante sempre foi o ser humano, se era honesto, ético, simpático, com aptidão para trabalhar em grupo (comunicação é feita toda em equipe) e se tinha boa formação, inteligência, gosto pela vida e pelo saber. Diploma nunca explicou nada, nunca filtrou nada, nunca separou bons e maus profissionais.

Em tempo: formação é fundamental

Não sou nem a favor, nem contra o diploma, acho essa questão superada porque nunca existiu. Na prática, a exigência de diploma valia, ma non troppo, como expliquei jocosamente com essa história de drible da vaca, uma das glórias de Pelé na Copa de 70.

Acho fundamental o jornalista ter preparo e conhecimento técnico, assim como formação humanista, humor, olhar curioso, bondade na alma, enfim, recheio. O problema é que nem os que “tiram” diploma de comunicação estão preparados, uma vez que o currículo das universidades está sempre defasado. Em relação às novas mídias, por exemplo, é um desastre. O professor de jornalismo às vezes ainda está na fase acústica e analógica e muito pouco pode acrescentar à formação dos alunos.

O problema mais difícil de superar reside em outra esfera, porém. Comunicação ainda é um penduricalho na visão de muita gente. É aquela bobagenzinha que qualquer um sabe fazer. O design é da sobrinha do cliente. O texto foi a estagiária que copiou não sei de onde. A foto foi esticada para “caber” na resolução necessária. O livro saiu em 15 dias porque finalmente liberaram a verba e agora tem de sair, de qualquer jeito, vai assim mesmo…

Comunicação parece algo que qualquer um pode fazer. Esse é o problema. É por isso que os jornalistas esperneiam tanto em relação ao fim da obrigatoriedade do diploma. Nós, jornalistas, sabemos o quanto é difícil trabalhar em Comunicação e o quanto ela é estratégica, importante, complexa e difícil de ser bem feita. A gritaria provavelmente vem desse sentimento de “agora é que a vaca vai para o brejo de uma vez”, em termo de qualidade e da remuneração que as pessoas desavisadas estão dispostas a dar a quem sabe trabalhar em comunicação.

Nova ortografia: manuais on-line

Alfabetização já!/Misspelling Alfabetização já!/Miss…pelling

Pôde e pôr (verbo) mantêm o circunflexo, assim como o plural dos verbos vir (vêm) e ter (têm).

O trema, ah, esse germânico acento, cai por terra, aniquilado, vencido.

A nova ortografia é um emaranhado de regras. Levou tanto tempo para decorar as antigas e a gente tem de desaprender.

Encontrei dois manuais bacaninhas na web para pesquisar dúvidas:

Em tempo: Via Ladybug, achei esse joguinho da nova ortografia feito pela FMU.

BBC encerra projeto de jornalismo colaborativo

New vocabulary New vocabulary

Fim de uma fase de euforia do jornalismo colaborativo: “The BBC World Service’s citizen journalism project, ‘Your Story’ has been axed due to lack of funding, reports journalism.co.uk.”

Trocando em miúdos: Sua História” (Your Story), projeto de jornalismo cidadão da BBC, lançado em junho de 2008, extingue-se por falta de verba.

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