A vida tem dessas delicadezas…
Vou sumir por um tempo da vida on-line, que as providências da vida prática me chamam.
Até breve.
A vida tem dessas delicadezas…
Vou sumir por um tempo da vida on-line, que as providências da vida prática me chamam.
Até breve.
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Foi a festa da capucha. Todo mundo de capinha de plástico transparente sobre a elegância do inverno. O show de Herbie Hancock e Macy Gray foi tão londrino, com sensação térmica de alguns graus abaixo de zero. Chuva fininha, daquela que molha os ossos, para não haver dúvidas.
Os cachorrinhos chiques dos moradores do Alto de Pinheiros usaram capinhas. Muita gente levou vinho, foi o desfile de safras do Chile, França, Itália e Argentina com alguns garrafões de Sangue de Boi na mão de incautos mais durangos. As meninas foram de botas. Os meninos, de boné. Sustentei a situação por várias músicas porque o cara é muito bom mesmo.
Fiquei surpresa em encontrar milhares de loucos como eu, que encararam a tarde gelada para ouvir jazz de primeiríssima qualidade. Um programão exótico no parque Villa-Lobos.
Prometi deixar disponível para download a apresentação sobre jornalismo cidadão que fiz durante a Semana de Comunicação da Faesa de Vitória.
Você pode fazer o download aqui: www.anacarmen.com/download/jornalismocidadaomaio2008.pdf (um pouco de paciência, porque o arquivo ficou pesadinho e você vai levar uns minutos até conseguir baixar o documento).
“Qual vai ser o trabalho do jornalista se todo mundo pode fazer notícia?”, perguntou um aluno. “Como é que essa cultura de colaboração surgiu num mundo cada vez mais individualista?”, disse outro. “Que história é essa de web 3.0?” “Você não acha que essa onda de Twitter é uma coisa de blogueiros que só conversam entre si?” O papo começou assim e foi até o fim do mundo, entre questões técnicas, éticas, existenciais.
Valeu, meus amigos que fiz em Vitória.
Os dados relativos a abril de 2008 do Ibope//NetRatings mostram que os internautas ativos com banda larga cresceram 53% em um ano, que o Brasil continua com o maior consumo de internet, em tempo de navegação e em páginas vistas e que as redes sociais levam o brasileiro a consumir mais páginas de internet.
Copio o press release:
“Em abril de 2008, 22,4 milhões de pessoas usaram a internet residencial, segundo o IBOPE//NetRatings, 41,3% mais que os 15,9 milhões de abril de 2007, o maior aumento entre os dez países monitorados pela Nielsen//NetRatings. Dos usuários ativos de abril, 82% ou 18,3 milhões navegaram por banda larga, crescimento de 53% na comparação com os 11,9 milhões registrados em abril de 2007.
Com 22 horas e 47 minutos por pessoa, em média, o tempo de navegação também aumentou na comparação com abril do ano anterior, ao evoluir 4,9%. A média de páginas abertas por usuário foi de 1.868 no mês e o total de pessoas que moram em residências em que há computador com internet, que é atualizado trimestralmente, ficou em 34,1 milhões.
Para todos os ambientes (residências, trabalho, escolas, lan-houses, bibliotecas, telecentros) o IBOPE//NetRatings continua indicando a marca de 40 milhões de pessoas com 16 anos ou mais de idade com acesso à internet, número relativo ao quarto trimestre de 2007.
O Brasil continua com o maior consumo individual de internet domiciliar, tanto em tempo de navegação quanto em média de páginas por pessoa. Os países que mais se aproximaram do Brasil em tempo de navegação em abril foram a França, com 20 horas e 12 minutos, e os Estados Unidos, com 19 horas e 33 minutos por usuário. Em consumo de páginas, o internauta residencial francês também foi o que mais se aproximou do brasileiro, abrindo 1.765 páginas.
“Mas o maior crescimento do consumo de páginas neste momento vem ocorrendo entre as crianças até 11 anos e entre os adulto de 25 a 49 anos, refletindo o aumento do interesse dos internautas dessas faixas etárias pelos sites de comunidades”, disse o analista. “O crescimento do uso de redes sociais pelos adultos, que já são os maiores usuários de sites de bancos e de comércio eletrônico, indica que as empresas em geral também podem aproveitar o potencial das comunidades on-line para melhorar sua relação com esse público, que em geral tem mais renda e apresenta maior probabilidade de conversão em consumidores”.
Minha lua é azul/ My moon is blue
Se a vida anda sem sentido, a gente pode assistir ao vivo as peripécias da sonda Phoenix em Marte. Transmissões em vídeo, pelo blog e até mesmo pelo twitter. “My computer is a RAD6000, radiation-hardened” diz a sonda no momento em que escrevo. (Esse programão para o qual, infelizmente, não consigo dedicar nenhum tempo, foi indicado pelo Tiago Doria.)
Se você quiser, pode também aproveitar para ficar mais a par das questões do e-learning e acompanhar até sexta, por audioconferência, o “III Congresso de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa”.
Em vez de pamonha, os orgânicos de Piracicaba. Entre sexta, 30 de maio e o dia 6 de junho o grupo Slow Food Brasil realiza em Piracicaba a Semana do Alimento Orgânico, uma opção menos on-line.
Tags: agenda, ambiente, astronomia, cibercultura, educação, geek, astronomia, congresso, e-learning, marte, nasa, orgânicos, phoenix, slow food brasil | Comentário (0) | Link para este post
Há dias estou para escrever sobre a mostra Mão Dupla, em cartaz no Sesc Pinheiros, aqui em São Paulo, até julho. Estive na abertura da exposição, gostei de vários dos trabalhos e tive até a impressão de que passou aquela fase “instalação” das artes contemporâneas. Houve um momento em que qualquer coisa era intervenção ou instalação. Nesta mostra são várias as instalações e intervenções, mas é como se fosse tudo em duas oitavas abaixo. Não me explico bem, a Bienal deve comprovar ou destruir a tese, veremos.
Conversei com a artista plástica Paola Junqueira. Ela morou muitos anos na Suíça e Inglaterra e agora retorna ao Brasil com o projeto dos buracos. Paola me explica que ela cava buracos durante 24 horas de trabalho, quatro horas por dia, das 10h às 14h, durante seis dias. O primeiro buraco ela cavou em 1998 e o projeto deve se encerrar este ano. Em seu site, a artista explica que o projeto surgiu em um período difícil (um pesadelo) para criar um ponto fixo no globo terrestre. Nas paredes do Sesc, leio sobre acolhimento no buraco. Conversamos sobre o buraco do Metrô, aqui em São Paulo, que eu vi ruir de dentro do prédio da editora Abril. É um buraco que a intriga ou perturba e que ela tentou ver de perto, sem conseguir ultrapassar a barreira de seguranças.
É curioso. Sempre relacionamos cavar um buraco a se esconder. Paola cava buracos e aparece.
Tags: São Paulo, agenda, arte, artes plásticas, exposição, performance | Comentário (0) | Link para este post
Converso nesta quinta-feira com estudantes de comunicação de Vitória, durante a 2ª Semana de Comunicação Social da Faesa, que tem como tema “Interdiscursos: as múltiplas vozes no discurso midiático”.
Fui convidada para falar sobre jornalismo cidadão - a produção e divulgação de notícias por quem não é profissional de comunicação. Um dos livros da coleção Conquiste a Rede, da qual sou co-autora, é justamente, “Você faz a notícia - jornalismo cidadão“.
“A separação rígida entre os que fazem as notícias e os que recebem as informações desaparece no mundo virtual. Os profissionais da comunicação têm agora milhares de aliados na tarefa de apurar fatos, conhecer novidades, reunir e comentar informações. Qualquer um pode fazer notícia. O modelo tradicional, que distingue os emissores dos receptores da informação, deu lugar à comunicação feita por meio da colaboração”, escrevemos há dois anos eu e Roberto Taddei no primeiro capítulo do livro.
Nestes últimos dois anos, desde o lançamento do livro (somente pela web, com licença Creative Commons, para permitir que ele tivesse larga distribuição) houve uma explosão do jornalismo cidadão. O fenômeno nem sempre é acompanhado por uma crescente qualidade no material produzido. Muitas críticas são feitas a essa produção.
Eu escrevo sempre aqui no blog sobre os muitos ângulos e questões que o tema traz e costumo dizer que poucas gerações puderam observar uma transformação tão drástica e definitiva na comunicação. Novidades nesse setor mostram que esse fenômeno ainda está em plena transformação.
Na semana passada, o YouTube lançou o Citizen News, um portal dedicado ao jornalismo cidadão. Há pelo menos dois novos portais em espanhol, o Igooh e o Notícias Latinoamericanas. Em Salvador, na Bahia, foi lançado também recentemente o Boca do Povo, com o slogan “Aqui você faz notícia”.
Ao mesmo tempo em que são poucos os portais exclusivos de mídia cidadã que têm grande repercussão, esses lançamentos mostram a ebulição nessa área. Acredito é precipitado desqualificar a produção do leigo. Tampouco é sensato declarar como valioso tudo o que é publicado.
No Brasil, os blogs são a parte mais vistosa dessa tendência. Pelo que posso perceber, eu também apostaria algumas fichas nas redes sociais. Ferramentas que mesclam publicação de conteúdo com uma comunidade on-line têm todos os ingredientes para que o jornalismo cidadão floresça.
Twitter, Friendfeed, Google Reader, Justin TV, entre outros, são serviços que conectam um grupo e permitem a qualquer um acompanhar o que dizem os produtores de informação e de conhecimento, no que prestam atenção os pesquisadores, o que comentam os jornalistas. Oferecem cobertura ao vivo, ás vezes com o requinte de imagem e áudio, cursos, palestras e encontros fechados que cobram caro o ingresso dos participantes.
Essas ferramentas de publicação de conteúdo que também são redes são como um termômetro, revelam o buzz, o que os formadores de opinião consideram relevante agora, as últimas notícias que impactam aquele grupo conectado. Em suma, as redes são ótima fonte de notícias e oferecem material em primeira mão. Muitas vezes antes do que qualquer outro veículo de comunicação.
O parque da Água Branca, em Perdizes, agora tem dois lagos de carpas (koi e nishikigoi, em japonês). Aproveite os dias de folga e passe por lá, é bonito ver como nadam em grupo e formam desenhos na água. Em seu habitat, a carpa sobe corredeiras, por isso está associada ao sucesso. É também símbolo de tranqüilidade e vida longa, pois se sabe de um peixe que viveu 226 anos. Há quem tatue a carpa na pele, símbolo de masculinidade. Em 5 de maio, quando se comemora o Dia das Crianças e, particularmente, o Dia dos Meninos, as famílias japonesas “erguem mastros enfeitados com carpas coloridas feitas de papel ou tecido, os chamados “Koi-Nobori”, leio no site da Japan Foundation. Quer dar um tempo? Alongue as pernas ao redor dos tanques do parque.
Tags: São Paulo, água branca, parque, São Paulo | Comentários (2) | Link para este post
Gravo um vídeo minutos antes de começar o Roda Viva com Ivaldo Bertazzo. Não resisto. Tiro também algumas fotos enquanto me preparo para conversar on-line e ao vivo com uma comunidade de “early adopters” de uma nova ferramenta de comunicação, o microblog.
Pelo Twitter, você lê o que eu escrevi e o que todos escreveram.
Atenção: se você não consegue acessar o endereço, paciência, tente novamente depois. O Twitter é “o novo Orkut” em termos de bugs, falhas (”no donuts for you”).
Ivaldo Bertazzo é um mestre, um educador, uma pessoa que sabe muito sobre ser humano. Lembro-me que ele dizia que precisamos ganhar uma estrutura antes de relaxar o corpo. Se você tentar só deitar e relaxar antes de ganhar essa estrutura, arrisca-se a virar uma poça de água, massa sem forma. Aprendi muito como sua aluna. Anos se passaram e sua clareza é cada vez mais aguçada. Ivaldo fala de uma subversão, a de transformar o corpo, dar-lhe consciência, eixo. “Cidadão dançante aprende que esse corpo que sofre continua produzindo linguagem. Quero instrumentalizá-lo para ter saúde”, disse ele no programa Roda Viva, da TV Cultura.
Essa citação eu publiquei ao vivo pelo Twitter. Fui convidada, ao lado de dois outros jornalistas e blogueiros, Helena Nacinovic e Alexandre Inagaki a cobrir e comentar o programa por essa ferramenta de microblog que para a maioria ainda é desconhecida.
Para quem não sabe, um sobrevôo rápido: é uma rede que conversa por mensagens com no máximo 140 caracteres. Elas podem ser lidas pela web, no site do serviço, pelo celular, pelo gtalk, por e-mail, você escolhe como quer usar o serviço. É possível enviar as mensagens pelo computador ou pelo celular e a conversa é ouvida por quem quiser “seguir” o autor do texto. Para ser ouvido por outra pessoa, ela precisa querer ouvir (seguir) você.
No Brasil, esse serviço, que é grátis, já começa a se espalhar, uma vez que brasileiro é louco por interação. Ivaldo Bertazzo, Ana Francisca Ponzio, Paulo Lima, entre alguns dos convidados da noite com quem conversei, não conheciam o Twitter e não sabiam direito o que íamos fazer ali. Mostraram-se curiosos e disseram já ter “ouvido falar” da ferramenta.
A TV Cultura inova ao trazer a riqueza das redes para o jornalismo. Foi uma experiência muito interessante participar como tuiteira - jornalista experiente já sou, mas ali eu tinha toda uma rede a contribuir, interagir, brincar e comentar. Percebi que uma nova camada de vivências foi acrescentada ao programa e quem só o acompanhou pela TV perdeu as informações, dúvidas e ironias dessa esfera.
Faltou encaminhar as dúvidas que chegavam via Twitter para Ivaldo Bertazzo. Pedro Markun diz que os tuiteiros são como Paulo Caruso que, com suas charges, comenta o programa e também não interage com o entrevistado. Verdade. Só que podemos ver suas aquarelas durante o programa de TV e não lemos as mensagens de twitter na tela, só pela web. A maioria precisaria abraçar o computador/celular e a televisão ao mesmo tempo se quisesse ter a experiência completa. Acho que o Twitter tem de entrar na veia do Roda Viva, sim. Inagaki sugeriu legendas no pé da tela. Qualquer outra solução vale, acho que conectar essas vozes só rejuvenescerá o programa, o mais reputado da emissora. Inovar ali é uma aposta no mundo digital do presidente da Fundação Anchieta, Paulo Markun.
Jornalista e tuiteiro sem lugar na platéia, Renato Targa foi ao restaurante da TV Cultura e conseguiu uma conexão muito mambembe com a internet, acrescentando outra camada ao programa. Fotografou os bastidores e publicou, também ao vivo, suas imagens, antes de o programa acabar. Acrescentou outra camada ao programa. Soubemos por ele que fora do estúdio a noite tinha, além de lua cheia, pernilongos a granel. Achei que sua intervenção curiosa porque mostra como a web exige poucos recursos e muita criatividade. Isolado no restaurante, ao lado de alunos de Ivaldo, Renato estava conectadíssimo.
Fiz dois vídeos: Bastidores do Roda Viva e Roda Viva com Ivaldo Bertazzo.
Não resisti e também tirei fotos de nossa participação, que você encontra no meu álbum Webthings do Flickr. Com essa multiplicidade de canais, saí convencida de que a comunicação caminha a passos largos em várias direções ao mesmo tempo.
Muita gente acompanhou pela web, via streaming, o programa. É inovador contar com tantos canais e melhor ainda ter bons interlocutores. O grupo de pessoas que participava pelo twitter é de formadores de opinião, estudantes, jovens, geeks todos. Uma alquimia poderosa.
A conversa nunca termina por aí. Blogueiros são gregários e hoje a rede traz mais leituras dessa experiência.
E por aí vai. As camadas são infinitas.
Questões políticas permeiam a produção do jornalismo cidadão. Encontro essa constatação em dois blogs. Andy Oram, editor da O’Reilly Books, com quem já conversei bastante por e-mail, escreve no O’Reilly Blog sobre os dez anos do Berkman Center for Internet & Society, uma instituição para pesquisa de temas relacionados à internet da Universidade de Harvard. O assunto é a produção peer to peer (p2p, entre pares, ou cidadãos): Yochai Benkler, others at Harvard map current and future Internet.
No blog GJOL, da universidade Federal da Bahia, a indicação é para Reclaiming the Media, um livro disponível para download. Aliás, fiquei sabendo do livro pelo Clico, logo Existo, um cantinho da blogosfera atento à “produção cidadã”, dos que não são profissionais de comunicação.
Política, uma palavra capaz de provocar calafrios em nossa espinha, tão desgastada está em nossa terra brasilis. Aqui no Brasil, política é pior que catapora, varíola, dengue e gripe juntas. Conhecemos o lado chatonildo, corrupto, velho e corrompido dessa força. Nesses dois posts, alívio, encontro um esforço para posicioná-la de uma forma saudável, como um ar fresco que renova nossa forma de pensar. Isso é raro quando se fala em política. Nem eu mesmo sei se acredito nessa palavra, só de ouvi-la me dá um sono.
Andy Oram conta o encontro de vários pensadores que se reuniram para discutir como Harvard pode posicionar-se para levar conhecimento útil para seis milhões de pessoas excluídas no mundo. Ambição assim.
Nesse livro, que ainda não li, encontro um capítulo sobre pluralismo: Making a difference to media pluralism: a critique of the pluralistic consensus in European media policy. Já começo a gostar da idéia. Nessa questão de jornalismo cidadão cintila uma característica: a variedade de opiniões. Só isso já é muito. São possibilidades, promessas, potencial.
O que se faz com isso, onde isso vai dar, se é bom, se é ruim, bem, isso é papo em Harvard, na Bahia, em São Paulo. Até no Irã, que tem a quarta maior blogosfera do mundo, coisa que eu não sabia.
Saiu neste domingo a reportagem O caos de São Paulo organizado nos blogs, uma matéria supersimpática do Estadão sobre blogs que mostram um lado bacana de São Paulo. Fui entrevistada e fiquei contente não só de ter sido lembrada, mas com esse jeito generoso de olhar os blogs. Estar de bem com a vida é tudo, inclusive numa reportagem. Parabéns aos repórteres Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli.