Francisco é um ser tão sociável que convida alguém no ponto de ônibus para ir à nossa casa.
O homem segura um DVD (Paixão de Cristo). Francisco vem de bicicleta sem pedal pela calçada e para a poucos centímetros do homem. Encara.
Sua bicicleta é chamada de trainer, foi feita para treinar equilíbrio, tem pneu, breque e um sininho estridente como buzina. Ela deixa qualquer um pasmo. Parece que Francisco é um acrobata chinês, aos 2 anos ele anda na maior velocidade em uma bicicleta sem rodinhas. Ergue os pés, embala, segura firme no guidão quando passa por buracos, desce rampa. Aos 2 anos e 8 meses, faz cada coisa que só eu sei. Juntos, percorremos as ladeiras do bairro em passeios memoráveis. Sua bicicleta não tem pedais, o que talvez explique alguma coisa. Talvez.
Diz ao homem no banco de ônibus:
- Eu também tenho DVD. Você precisa ir na minha casa ver.
O homem quase cai do banco e todo o pessoal que espera o ônibus acha graça. Francisco já está com plateia. Do lado de cá, a família que saiu para passear a pé se contorce e tenta disfarçar o riso. Imaginamos o figura da Paixão de Cristo lá em casa, assistindo a DVDs do Francisco. A consideração geral: esse aí vai dar trabalho.
Vislumbro para nós um futuro de casa cheia. A classe toda, os passageiros da perua, as crianças da praça, os amigos da rua, o time de futebol, o pessoal que estava na lanchonete, na loja, os colegas de alguma coisa feito skate, astronomia, banda, grupo de teatro, unidos da cabaninha.












